17 de maio de 2013

Atualizações


Os textos deste blog estão sendo revisados e aos poucos serão postados novamente.

Abaixo você já pode conferir as postagens atualizadas.

15 de abril de 2013

Pensando em mudanças*

Transitando entre momentos da vida que gostaria de escrever a respeito aqui no blog e pensamentos, cada vez mais constantes, de intensificar minha privacidade na rede, encontrei uma contradição.

Como um escritor pode se livrar da exposição de sua intimidade quando praticamente toda a inspiração para seus textos vem de experiências pessoais e acontecimentos que o marcaram de alguma forma? Como se livrar da exposição provocada pelas redes sociais? 

Decidi, ao contrário do movimento comum, produzir o mínimo possível de informações sobre a minha personalidade. Não tem problema se as pessoas sabem que gosto de Madonna, System Of a Down, Gal Costa e Gaby Amarantos. É uma parte de mim, mas não me define. Decidi, após uma brava batalha existencial a respeito da necessidade criada pelo Facebook, que não vou atualizar meu status de relacionamento.  

Esse novo sentimento de privacidade limitou a quantidade de textos que escrevo e publico por aí. Fato que declaro como positivo, porque tem me ensinado a selecionar o que quero escrever. Hoje pela manhã, ainda de pijamas e com uma xícara de café, encontrei uma preciosidade textual em meio ao mar de inutilidades do meu feed de notícias: 'A dor não nos matará', do Jonathan Frazen.

Nesse texto, o autor falar sobre amor, tecnologia e as relações reais que estabelecemos ao longo da vida. Foi uma surpresa. Uma dessas estranhas que aparecem exatamente quando você precisa, ainda que não esteja procurando. Uma surpresa que cai no seu colo e te faz perceber que está no caminho certo, apesar das incertezas. 

Trechos como '... amar é abrir mão...'; 'o compromisso com algo que amamos nos obriga a encarar quem realmente somos' e 'fui obrigado a confrontar uma parte de mim que eu tinha que aceitar na íntegra ou rejeitar absolutamente. É isso que o amor faz com uma pessoa' me fizeram perceber que estou no caminho para o que busco na vida. 

Para seguir neste caminho, mudanças são necessárias. Mesmo que eu me desespere ao ter que fazer as malas, empacotar meus livros e encontrar uma ordem segura e compreensível para reorganizá-los em um novo ambiente, talvez deslocado e incompatível com toda a energia histórica daqueles objetos. E mesmo que eu possua uma tendência a insistir nos comportamentos obsessivos, posso mudar hábitos, evoluir e me tornar uma versão aprimorada de mim mesmo com o amor sendo o grande responsável.

Foi Jonathan que me fez sentar em frente ao computador e escrever sobre minha diminut exposição na internet, mas continuar me expondo. Talvez a resposta esteja em saber exatamente o que pode ou deve ser exposto. Ou talvez não haja resposta. Por agora, vou saborear os ares de mudança e olhar para as caixas de livros empilhadas no canto do meu futuro ex-quarto. 

*originalmente publicado em 22/07/2012

São Paulo*

Minha paixão pela cidade é algo que reservo um tempo para mergulhar em pensamentos e tentar definir. Acabo desistindo das definições, porque elas só empobrecem as experiências. Prefiro ter uma série de explicações para as coisas, adaptando cada uma a situações e realidades pertinentes. O que melhor define minha paixão por São Paulo é o anonimato. O livre vai e vem pela cidade e a chance de passar desapercebido na multidão como um anônimo, um fantasma. Ainda que esse anonimato temporário sufoque, me conforta em suas peculiaridades e silêncio. Não há coisa mais chata do que ter a vida rastreada por fofoqueiras de cidade pequena. 

Venho de uma cidade grande com alma de interior. Aracaju. Por lá, as pessoas costumam conhecer umas as outras. Não é incomum ser reconhecido como filho de Dona Teresa, professora de música. Alguém me diria que em São Paulo também acontecem dessas coisas, principalmente quando você frequenta os mesmo lugares que as pessoas conhecidas. Pode acontecer, mas é em um plano diferente.  

O que também me fascina na cidade é a possibilidade do uso dos espaços públicos e a apropriação que cada morador da metrópole faz desses espaços. Milhares e milhares de pessoas passam pelo mesmo local, todos os dias, com olhares, experiências e expectativas diferentes a respeito de um mesmo lugar. Sempre ela, a cidade. Assim vamos construindo memórias, histórias e nos apropriando dos espaços em comum, da mesma forma que esses mesmos espaços se apropriam de nossa realidade e sentimentos. É na cidade que surgem os grupos, as artes, a noite e as trocas culturais com intensidade elevada. Algo que só a selva de pedra permite. 

Vou continuar me apropriando dos espaços públicos de Sampa, alimentando a paixão, transitando e construindo memórias das mais diversas para um dia, quem sabe, ambientar uma de minhas ficções na metrópole cheia de cosmopolitas.

*originalmente publicado em 22/04/2012

14 de abril de 2013

Uma hora no Baixo Augusta*

Foto: Humberto Gollabeh
*Texto feito em parceria com Humberto Gollabeh.

Carros sobem. Carros descem. São 21h03min. Os termômetros marcam 12 graus e as pessoas, devidamente agasalhadas, se misturam entre tons de preto, prostitutas, moradores de rua, vendedores ambulantes e passantes. O tom noturno e quase sombrio, aparentemente assustador, é o que domina a região do Baixo Augusta diariamente. Entretanto, engana-se quem acredita que a região é cenário para filmes de horror. É nesta região onde transitam os mais diversos públicos da cidade em busca de diversão, cultura, prazeres e trabalho. 

A viatura da polícia metropolitana está parada em frente ao Espaço Itaú de Cinema. É comum encontrar nessa parte da rua Augusta ambulantes vendendo DVD’s piratas, livros, LPs, camisetas, lenços, anéis, pulseiras e toda a sorte de objetos comercializáveis. Nesta noite, os ambulantes não estão de plantão. A calçada está limpa e sem cores, como se antes não houvesse nada por ali.

Não é preciso caminhar muito para encontrar Luiz Alves da Silva, 61, o Luiz das Flores, que trabalha na região há trinta e nove anos. “Eu vendo diversos tipos de flores para todas as classes sociais”, diz, e com um riso tímido completa “Casais heterossexuais compram rosas, lírios e cravos. Os gays preferem girassóis e astromélias”. Luciano Chaves, 39, colega de Luiz das Flores, vende DVDs piratas ao lado de uma banca de revista há cinco anos. Trabalha todos os dias, menos domingo, como acha importante enfatizar, das 18h às 22h. Gosta da diversidade da região e vende os DVDs a cinco reais. “Mas se quiser levar 4 por 10, eu faço. O que vale é fazer o dinheiro circular!”, diz sedutoramente.

Na popular rua Frei Caneca, Julio César, 26, auxiliar administrativo, nunca trabalhou na região, mas é frequentador assíduo há 6 anos e busca diversão. “Tem uma infinidade de lugares que costumo frequentar: bares, festas e restaurantes. Gosto daqui, mas não acho a região segura”, diz. À vontade para falar sobre sua orientação sexual, entre gargalhadas, comenta, “Eu sou gay e a coisa mais inusitada que já vi vendendo por aqui foram imãs de geladeira com fotos de homens pelados. Choquei (no bom sentido)!”. A rua, que a pouco estava vazia, começa a ganhar vida com conversas, risinhos, copos de cerveja e fumaça de cigarros.

Numa esquina em que um bar serve de ponto de encontro, ainda na Frei Caneca, Sérgio Garcia, 24, consultor de moda e morador da Avenida Paulista, toma uma cerveja enquanto traga um cigarro e furtivamente investiga o ambiente. “Costumo descer por aqui aos finais de semana para me distrair, ver gente. As pessoas vendem de tudo por aqui, inclusive bebidas para menores”. São 21h25min. 

Enquanto isso, Sandra de Oliveira, 49, ex-flanelinha e copeira de uma agência bancária, completa sua jornada dupla de trabalho como fiscal de um ponto de táxi. “Ai, adoro essa região. Os clientes já me conhecem, são meus amigos e me tratam muito bem”. Nove franceses saem de um restaurante acompanhados por uma brasileira, às 21h50min. A fiscal é responsável por parar três táxis que levarão os estrangeiros para a Alameda Lorena. Cinco minutos depois, retorna sorridente: “Aqui não importa se você é gay, branco, preto ou gringo. É seguro, as pessoas querem morar por aqui”. 

Carros sobem. Carros descem. São 22h. Os termômetros ainda marcam 12 graus. Ainda assim, garotas chamam atenção com seios volumosos por baixo da pouca roupa. Ao pedido de entrevista, uma delas, de cabelos claros e possíveis 50 anos, simpaticamente diz: “Desculpe, não falo com jornalista”.

*originalmente publicado em 21/06/2012

26 de dezembro de 2012

O novo Quarto


O Quarto está de volta com novo layout e nova organização de conteúdos. A ideia é fazer do blog um espaço de experimentações textuais onde ideias podem ser compartilhadas e aprimoradas. Ao mesmo tempo, servirá também de repositório de trabalhos produzidos por mim em outros sites/blogs/etc. 

Buscando facilitar a identificação dos conteúdos, criei as tags abaixo com suas respectivas explicações: 

asterisc* - informações complementares e curiosidades sobre os assuntos tratados no blog 
lúdico - desabafos, contos e toda sorte de devaneios e experimentações literárias 
jornalismo - reportagens, matérias e textos jornalísticos 
opinião - minha visão crítica sobre diversos assuntos 
seriados - resenhas de séries de tv 
bastidores - produções sobre os bastidores de minhas produções 
colaborador - textos autorais de amigos e colaboradores 

Ao longo do tempo postarei conteúdos inéditos e textos anteriormente publicados aqui no blog. Todos os textos antigos foram tirados do ar temporariamente e ganharão uma revisão rigorosa para se adequar a nova proposta do Quarto

Espero que você, leitor, goste de tudo que está sendo preparado.